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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os Bestializados - livro de Joé Murillo de Carvalho

Os Bestializados Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi é um livro de José Murilo de Carvalho lançado pela editora Cia. das Letras. Os Bestializados é mais uma das grandes obras escritas pelo professor e historiador José Murilo de Carvalho. Dentre outras, pode-se citar, também, de grande importância, o livro A Formação das Almas, que retrata a República do Brasil através de textos e imagens, a tradução fidedigna das batalhas travadas pela construção de uma identidade para um novo estado republicano no Brasil, e Forças Armadas e Política no Brasil, onde busca investigar características organizacionais e aspectos internos da instituição militar, o que abriu um novo debate público sobre a organização militar e seu papel na sociedade. [editar] Resenha Nesta obra, José Murilo de Carvalho aborda o tema da participação das camadas inferiores da sociedade, no Rio de Janeiro, no período da Proclamação da República. Logo no início do livro, o autor cita o propagandista da República, Aristides Lobo, e o estudioso francês residente no Brasil, Louis Couty, com indagações a respeito da apatia do povo frente ao processo republicano. É a primeira vez, após a independência, que o país passa por um momento histórico de grande importância, discute-se a transição da monarquia para um estado republicano que pode colocar o próprio povo em igualdade, ao menos política, com as elites. Nas décadas finais do século XIX, o Rio de Janeiro passa por um boom demográfico, com um contingente populacional quase que dobrando entre 1872 e 1890. Isso, claro, provoca diversos problemas estruturais e de higiene na região. Cresce o número de pessoas buscando emprego, conseqüentemente, de desempregados. Aumenta a quantidade de pessoas a morar em cortiços, que já não tinham tanta higiene, agravando, então, a questão do saneamento básico e do abastecimento de água. Surtos de malária, varíola, febre amarela e tuberculose já são comuns em toda a cidade fluminense. A economia enfrenta índices inflacionários absurdos, por causa da especulação desenfreada em vários níveis, especialmente terrível para as classes populares, embora não tenham sido, pela falta generalizada de educação política e financeira, as únicas a sofrer os nefastos efeitos das consequências do mal gerenciamento da bolha do encilhamento. Existe, também, uma grande disputa ideológica, com os já conhecidos liberalismo e positivismo, e, juntando-se a eles, o socialismo e o anarquismo. A concepção de um povo “bestializado”, surge quando, após a conquista da Republica, por falta de uma organização política pela sociedade, o poder é dado a gente envolvida com o liberalismo imperial. Com a Constituição de 1891 não dando obrigatoriedade, ao estado, em fornecer educação ao povo, e, o direito de voto só ser dado àqueles não analfabetos, a grande maioria da população é excluída da participação na comunidade política. Como é a primeira vez que o povo vê um modelo de república, há um descontentamento generalizado, inclusive desejando-se o retorno ao próprio modelo monarca, devido à simpatia a D.Pedro II e a princesa Isabel. Então, essa falta de intervenção do povo, quanto ao processo de consolidação da República, faz com que estudiosos os chamem de “bestializados”. E assim são tratados até a Revolta da Vacina, em que eclodiu um sentimento tão esperado pela defesa da honra e de seus direitos. Figuras aclamadas pelo povo no início do século XIX e por historiadores na atual geração, o livro traz diversos personagens polêmicos, e outros nem tanto, que deram ao período um sentido político de grande importância para se compreender o processo de formação da República do Brasil. Seja do lado da elite, estado ou do povo, grandes nomes se fazem nesta época de intensa movimentação no Rio de Janeiro. Eis um dos grandes trunfos da obra de José Murilo de Carvalho. O autor não mede esforços para citar diversos nomes que dão credibilidade à história contada sobre aquela época. Recorrendo a jornais do período, sejam escritos pela elite ou pelo povo, ou em defesa deste, busca detalhes mínimos para enriquecer a sua obra. Revistas, almanaques e até fichas policiais são destrinchadas pelo escritor. Visitas ao arquivo público fluminense não são poucas. Em relação à bibliografia, mais de 70 livros são visitados pelo autor, para poder conceder-nos o prazer de reviver um momento histórico de tamanha importância. Ambientando no Rio de Janeiro, no final do século XIX e início do XX, José Murilo de Carvalho entra em detalhes quando retrata a cidade fluminense, desde as obras relacionadas ao desejo do governo em transformar o Rio numa Paris brasileira, até os bondes virados e fábricas e lojas destruídas e pilhadas pelos revoltosos. O autor tem o desejo de enriquecer tanto a obra que acaba por pecar ao se ater em quadros representando informações da época, seja da quantidade de estrangeiros, divisão da população em profissões ou as associações de auxílio mútuo. Não deixam de ser citações interessantes, mas o próprio autor repete a informação de que são dados imprecisos, cheio de falhas, possivelmente, destoantes da realidade. Outro fator que acaba por sair, um pouco, da linha correta da obra, é a forma que são introduzidas as imagens. Qual é a ligação com o texto? De que forma ela é feita? Sabe-se que existem imagens ao final do livro, aliás, um trecho somente delas, chamada de “Visões da época”, entretanto, apesar de terem a sua legenda atribuída corretamente, não existem momentos no corpo do livro que direcione o leitor às imagens no instante em que a elas devem-se reportar. Eis uma obra que vale a pena ser visitada não só pelos historiadores que desejam enriquecer a sua pesquisa, mas, também, por leitores interessados em saber um pouco mais da história de um Rio de Janeiro em pleno período de construção de um regime republicano na realidade brasileira. A participação do povo é de vital importância para a tomada de decisões benéficas às massas e, esse reconhecimento, se dá através de uma leitura agradável, com uma linguagem bastante acessível a quem quer que seja. Inclusive, ainda hoje, podemos encontrar algumas particularidades, não só na cidade fluminense, mas em todo o estado do Rio de Janeiro, e por que não no Brasil, que permeavam o cotidiano daquela camada popular.

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